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Mirando o longo termo, gestora coloca o País como prioridade em seus planos de investimentos

Interview with Gary Garrabrant, Jaguar Growth Partners’ Managing Partner


 

De volta ao mercado após desfazer a parceria com Sam Zell na Equity International,  Gary  Garrabrant  fundou a Jaguar Growth Partners há dois anos. Com foco  em investimentos  em  mer­cados emergentes, a empresa tem de­monstrado interesse em países como a Índia, a China e, particularmente, o Brasil. Tanto que escolheu São Paulo para receber seu primeiro escritório fora dos Estados Unidos, inaugurado em outu­bro do ano passado.

Logo de inicio, a companhia estabele­ceu um plano para levantar US$ 1 bilhão para investir em mercados emergentes. Gary prefere não comentar em que estágio está esse processo, mas garante que o Brasil tem espaço prioritário na alocação dos recursos. Acompanhe:

 

GRI Magazine: Por que elegeram o Brasil para instalar o primeiro escri­tório regional da Jaguar?

Gary Garrabrant: Como gestores de investimentos institucionais, reconhecemos o valor de estabelecer uma pre­sença ativa em nossos mercados-alvo. Estamos focados exclusivamente em mercados emergentes e, neste mo­mento, ativos na América Latina. Meusócio, Thomas McDonald, e eu temos uma longa história de sucesso no Brasil. lnaugurar nosso escritório em Sao Paulo confirma nosso compromisso com o País e, mais amplamente, com a América Latina.

 

GRI: O atual quadro político-econô-mico do Brasil de alguma forma fez vocês reverem os planos relatives ao País? Como percebem o mercado brasileiro hoje?

GG: Temos uma perspectiva de longo prazo e, sob essa ótica, não poderíamos estar mais animados com as oportuni­dades no País. Esperamos que o desa­fiador processo político e econômico pelo qual o Brasil passa gere, no fim das contas, benefícios substanciais para o País e os brasileiros em diversos níveis, incluindo transparência, eficiência de custos e acesso a recursos. Vemos este ano e o próximo como um periodo de transição para o Brasil, criando oportuni­dades significativas para quem tem ex­periência, expertise e relacionamentos. A Jaguar está posicionada da maneira ideal para capitalizar essas oportunida­des.

 

GRI: As lições aprendidas por você e seu sócio ao longo dos anos ajudam a entender melhor o presente cenário nacional?

GG: Descobrimos muitas coisas nos úl­timos 20 anos investindo e construindo companhias em mercados emergen­tes, incluindo o Brasil e outros países da América Latina. Aprendemos que foco e paciência são fundamentais. Essas qualidades nos levam a ver com mais clareza o ambiente e as oportuni­dades futuras nessas regiões, enquanto players menos experientes tendem a se distrair com influências de mais curto prazo. Energia e resiliência são carac­terísticas essenciais também, pois nos capacitam a ser bem-sucedidos em cenários desafiadores. Destaco ainda o papel de parceiros operacionais locais notáveis, que funcionam como  pilares para nosso negócio. Aprendemos a im­portância de identificar e desenvolver essa relação com nossos parceiros tanto nos ciclos de alta como nos de baixa.

GRI: A Jaguar, pouco depois da suacriação, traçou uma meta de captar US$ 1 bilhão para investir em mer­cados emergentes. Em que estágio está esse processo?

GG: Não podemos falar sobre essa questão no momento.

 

GRI: A empresa tern intenção de lançar outros fundos? Algo especi­ficamente endereçado ao Brasil?

GG: Estamos comprometidos em construir um negócio substancial e de longo prazo na América Latina, incluin­do o Brasil, que vai abranger múltiplos veículos de gestão de investimentos. Planejamos estabelecer presença na Ásia também, inclusive na Índia, em sequência à América Latina. Todas es­sas iniciativas vão ser sustentadas por equipes de gestão de investimentos e portfólios experientes  e completamente dedicadas tanto em Nova York como dentro de cada país. Com essas novas iniciativas, esperamos ampliar nossa ati­vidade de investimentos para além de plataformas operaciona is, incluindo atividades relacionadas a crédito e outras, todas sempre relacionadas a ativos reais em mercados emergentes  globalmente.

 

GRI: Quanto a Jaguar deve investir no Brasil neste ano? E nos próxi­mos?

GG:  Não  podemos  discutir  detalhes de investimentos neste instante. No entanto, temos experiência direta nos segmentos residencial, de varejo, cor­porativo,  de logística,   hospitalidade, self-storage, finanças especializadas e gestão de ativos no Brasil. Esperamos ser ativos na maioria, se não em todas essas áreas. Como resultado, o País deve representar uma parte significativa da nossa atividade na América Latina. Como investidores oportunistas, não fa­zemos alocaçoes por países ou setores.

 

GRI: Se tivessem de escolher ape­nas um segmento aqui, qual seria?

GG: Focamos atualmente em setores fundamentais como varejo e galpões, distribuição e logística. Estamos observando de perto o ânimo do consumidor no Brasil, já que vai determinar o desem­ penho e o sucesso desses negócios.

 

GRI: Olhando para a América Latina e, em especial, o Brasil, o que buscam em termos de aquisição de participações em negócios locais?

GG: No geral, focamos empresas exis­tentes, sejam elas fechadas ou abertas, trabalhando em colaboração com par­ceiros locais. Todas são companhias emcrescimento, beneficiando-se da expansão da classe média e do concomi­ante aumento do consumo. As empresas podem estar em estágio inicial ou mais avançado – no caso destas últimas, particularmente as que se encontram em situação de distress. À medida que a escala do mercado de capitais para real estate cresceu, também aumentou a da nossa atividade como gestora de investimentos institucionais . Geralmen­te, olhamos para oportunidades acima de US$ 50 milhões.

 

GRI: Que regiões do País são prioridade?

GG: Costumamos investir em companhias que operam, se não em todas, na maioria das regiões do Brasil. Mas lembro que o ambiente atual com certeza levou à priorização dos mercados principais, particularmente no Sudeste.

 

GRI: O que avaliam como um retorno adequado para os investimen­ tos no nosso mercado atualmente?

GG: Focamos oportunidades com ni­ vel de retorno entre 20% e 25% ao ano para todos os mercados emergentes. 0 ambiente atual no Brasil sugere que os resultados adequados estão no topo desse intervalo ou acima dele em al­ guns segmentos.

 

GRI: A desvalorização do real au­ mentou a atratividade de investi­ mentos aqui? Em que medida?

GG: Monitoramos todas as principais moedas mundiais sob uma  perspecti­ va de valorizac;ao.  Como gestores de risco, estamos atentos e somos sensiveis, mas nao somos market timers. O risco cambial no Brasil pode ser mais bem gerido naturalmente por meio de uma estrutura subjacente de investimentos em vez de externamente, o que tem custos proibitivos no longo prazo.

 

GRI: O Brasil é um país com espe­ cificidades quando se trata de in­ vestimento estrangeiro. Quais são os principais desafios que vocés enfrentam para aplicar recurses no País?

GG: Nos sentimos atraídos pelos mer­ cados emergentes por uma série de razóes, entre as quais estão as elevadas barreiras de entrada, que efetivamente limitam o avanço da concorréncia. No Brasil, investimos e monetizamos in­ vestimentos por meio de investidores institucionais locais e internacionais, mercado de ações local e internacio­nal e compradores estratégicos. Nem os investimentos nem os processos de monetização foram desafiadores no País. Descobrimos e estabelecemos relações próximas com parceiros de primeira linha no Brasil, construindo juntas uma série de empresas líderes de mercado. Com base na nossa ex­periência, o País não é mais desafiador do que outros mercados emergentes e tern uma riqueza de parceiros extraornários e oportunidades  de negócios.

 

GRI: Considerando sua vivência na Índia, na China e em diversos países da América Latina, como compara o Brasil?

GG: O País está em posição favorável na comparação com outros grandes mercados emergentes, baseado em uma série de qualidades e característi­cas que incluem geografia, tamanho da população, particularmente a jovem, as­ pirações, espírito empreendedor, quali­dade dos parceiros e extensao de opor­tunidades. O ambiente atual adicionou valor sem precedentes a essa lista de atributos.

 

GRI: Caso precisasse selecionar um único mercado no mundo para investir nos próximos cinco a dez anos, qual seria?

GG: O Brasil, pelas razões citadas, e logo em seguida a Índia, que tern mui­ tas das mesmas qualidades, mas uma complexidade muito maior.